O nosso “Dia Feliz” foi realizado em 09 de abril de 2011 no abrigo para menores “Restaurando Vidas”.
O abrigo Restaurando Vidas faz parte da Associação Obreiros Mirins, fundado em 1998 por Ana Lúcia de Miranda com a intenção de auxiliar crianças em situação de risco social e pessoal (maus tratos, abandono, abuso sexual, violência doméstica, negligência) e em regime de acolhimento institucional de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A Associação Obreiros Mirins possui atualmente nove unidades de atendimento em Belo Horizonte, localizadas nos bairros Jardim América, Salgado Filho, Barreiro de Baixo, Novo das Indústrias, Nova Gameleira, Betânia, Cardoso, São Geraldo e Nova Suissa. Ao todo são atendidas 135 crianças e adolescentes do sexo feminino e masculino, residindo no máximo com 15 abrigados em cada unidade.
A unidade Restaurado Vidas atende atualmente 15 crianças e adolescentes com idade entre 8 a 16 anos. Todas encaminhadas através da Vara Cível da Infância e Juventude e Conselhos Tutelares. A casa conta com seis educadoras e uma Assistente Social, todas mantidas por meio da Prefeitura de Belo Horizonte.
As crianças recebem moradia, medicamentos, vestuário, objetos pessoais de higiene, alimentação, material escolar, acompanhamento médico e odontológico (SUS) e atendimentos especializados. Tudo por meio de apoio da PBH e de doações.
No dia da nossa visita a casa estava em obras. Uma doação da empresa MANNESMANN para melhoria dos espaços. Os quartos haviam sido pintados, a entrada estava sendo cimentada e todos os outros cômodos também receberiam pintura e melhorias. Os quartos estavam arrumados, com as camas bem esticadinhas e todas as crianças pareciam felizes pelas reformas e por estarem ali.
Pudemos perceber que apesar da Prefeitura de Belo Horizonte auxiliar no sustento da casa, eles ainda necessitam muito de doações de todas as espécies. Algumas das necessidades que nos foram colocadas:
Colocação de forro
Motivo: A casa é toda em telha de amianto, sendo extremamente quente nos dias de verão. As crianças e adolescentes sofrem com o calor neste período.
Separação dos banheiros
Motivo: Nos banheiros não existe separação entre vaso sanitário e chuveiro, sendo necessário construir uma parede, já que o banheiro é de uso coletivo e atualmente não tem privacidade.
Cimentar áreas externas da casa
Motivo: A unidade Restaurando Vidas é de sede própria, doada pelo Ministério Público. Possui uma área externa muito boa para as crianças e adolescentes brincarem. Atualmente é um espaço não aproveitado e que poderia ser utilizado como área de recreação.
Móveis e eletrodomésticos em geral
Motivo: A unidade depende de doação, já que o recurso repassado pela Prefeitura é insuficiente para que arquem com todas as despesas. Diante disto, precisam de móveis novos ou semi-novos como: guarda-roupas, mesa para refeições, cadeiras, estante para livros, cômodas, sofá, raque ou suporte para televisão.
Além, é claro, de alimentos, roupas, material escolar e amor.
Enfim, percebemos que existe uma enorme boa vontade por parte dos funcionários para que essas crianças se sintam queridas e acolhidas, mas ainda é preciso de doações materiais para que elas tenham o básico do conforto em uma casa.
Como estávamos com dificuldade para agendar uma visita para o nosso grupo, aproveitamos a visita da Fundação Espírita Cárita para irmos juntos. Realizamos brincadeiras com balões e jogos recreativos com as crianças, fizemos um lanche e premiamos as crianças com caixas de bombom. A intenção das brincadeiras era levar diversão para as crianças e tirá-las da rotina.
Acreditamos que nosso Dia Feliz conseguiu atingir seu objetivo, uma vez que propiciou aos membros do grupo uma vivência motivacional de valorização do ser humano. Saímos do abrigo com a sensação de que é possível restaurar vidas através de um trabalho humanizado.
Relatos da Trupe sobre o Dia Feliz
Débora Ferreira
A experiência de participar de uma ação social, no abrigo “Restaurando Vidas”, como parte de um trabalho acadêmico fez com que eu pudesse questionar alguns conceitos a respeito de crianças que vivem sobre risco social. O primeiro deles é com relação ao papel da família na vida dessas pessoas, bem como a recuperação do vínculo familiar poderia ser realizada sem causar mais transtornos. Outro ponto questionado é pensar como será a formação a personalidade de cada criança mediante os momentos vividos, de que forma ela poderá ter uma vida “normal”. O ato de fazer mal a uma criança também é questionado, bem como o que leva ao cometimento desses crimes. Por fim, o mais valioso foi perceber a capacidade de superação e o sorriso de cada criança frente aos problemas enfrentados.
Gabriel Speziali
Apesar do objetivo do dia feliz ser “levar felicidade”, posso perceber claramente que muito mais do que o incentivo e contribuições para instituições como estas, se faz primordial a melhoria na educação e cultura no Brasil, que na minha visão são péssimos. Resultados positivos e trabalhos responsáveis neste sentido, resultariam em um número menor de crianças “carentes”, sendo assim, a qualidade dos serviços prestados e condições estruturais dos locais, seriam mais eficientes e poderiam de fato, ajudar o “carente” com uma estrutura adequada para dar continuidade em sua vida pós-abrigo.
Lizandra Bani
Na experiência do Dia Feliz o que mais chamou minha atenção foi a história de um menino chamado Matheus, que estava na creche a apenas uma semana. Um menino de doze anos, extremamente doce e educado, procurou sozinho o Conselho Tutelar e tomou todas as providências para sair de casa por sofrer maus tratos da família. Considero que além de querer sair da situação triste que vivenciava, ele demonstrou muita maturidade e coragem para conseguir se desvencilhar dessa situação. Particularmente, torço para que ele continue determinado e não perca seus valores no doloroso trajeto de conseguir um novo lar, com uma família que lhe dê todo o suporte e amor para ter uma vida digna. O Dia Feliz foi descontraído e prazeroso, um momento em que ser solidário foi mais importante do que os problemas da sociedade em geral, e até mesmo, daqueles que temos no nosso dia-a-dia.
Poliane Brandão
Ainda não havia visitado um abrigo como o Resgatando Vidas. E achei super importante a existência de locais como esse que recebem crianças fragilizadas e tentam resgatá-las. As crianças chegam lá com medos, sem noção de afeto, algumas agressivas e os profissionais têm que ter sensibilidade e ao mesmo tempo pulso firme para educá-las no caminho do bem. Para mim, foi válido para me sentir grata de ter tido uma estrutura familiar que me cercou de amor, respeito e que me ensinou a ser um ser tolerante e amorosa com o meu próximo. Embora o sistema não seja perfeito e ainda precise de ajustes, só o fato de já existirem locais como esse, já mostra que é possível sim melhorar o futuro de crianças que já nasceram marginalizadas.
Juliana Resende
A oportunidade de vivenciar uma realidade diferente da que estamos acostumados no dia-a-dia possibilita uma reflexão e uma visão mais abrangente sobre a sociedade na qual estamos inseridos. Mais que isso, nos torna mais humanos e nos faz lembrar que somos seres únicos, mas que temos sonhos e decepções em comum. A experiência do Dia Feliz me fez relembrar que sempre é possível mudar algo que está a nossa volta, e, principalmente, dentro de nós.
